Binance, Bybit e DeCripto: o novo mercado cripto no Brasil

Binance passou a se adaptar ao novo modelo de reporte à Receita Federal. A Bybit está migrando usuários para sua operação brasileira. E a DeCripto cresceu no radar dos investidores. O mercado cripto brasileiro entrou definitivamente em uma nova fase: mais regulado, mais identificado — mas não necessariamente menos livre.

Durante muito tempo, criptomoedas foram associadas a uma ideia quase absoluta de liberdade.
Liberdade para movimentar patrimônio. Escolher onde guardar os próprios ativos. Utilizar plataformas estrangeiras. Fazer autocustódia. Participar de uma economia verdadeiramente global.

Essa liberdade continua sendo uma das maiores forças do mercado cripto.
O que está desaparecendo é outra coisa:
a ideia de que liberdade significa invisibilidade.

Binance e Bybit mostram que a mudança já começou
Dois movimentos recentes deixam essa transformação bastante clara.A Binance passou a adaptar seus reportes ao novo ambiente tributário brasileiro. Com a entrada em vigor da DeCripto, a Receita Federal passou a receber informações dentro de uma nova estrutura de reporte das operações com criptoativos.
Já a Bybit iniciou a migração dos usuários brasileiros para sua operação local e passou a restringir contas que não concluíram a atualização cadastral. O primeiro prazo terminou em 21 de agosto de 2026, com novas etapas previstas para setembro.
São movimentos diferentes.
Mas apontam para a mesma direção.
As grandes plataformas globais estão tendo de se adaptar a um Brasil com mais identificação, reporte, governança e supervisão sobre o mercado cripto.

DeCripto: a Receita Federal também mudou o jogo

Desde julho de 2026, as operações com criptoativos passaram a integrar a DeCripto, instituída pela Instrução Normativa RFB nº 2.291/2025.
O novo modelo substituiu a estrutura anterior e ampliou o sistema de informações recebido pela Receita Federal, alcançando inclusive determinadas prestadoras estrangeiras que direcionam seus serviços ao mercado brasileiro.

Paralelamente, o Banco Central avançou na regulamentação das prestadoras de serviços de ativos virtuais, aproximando o setor de estruturas de governança, controle e supervisão já conhecidas no sistema financeiro.
E existe ainda um terceiro movimento: o CARF — Crypto-Asset Reporting Framework, desenvolvido pela OCDE, prepara o intercâmbio internacional de informações tributárias relacionadas a criptoativos. As primeiras trocas estão previstas para 2027.
A conclusão prática é importante:
operar em uma exchange estrangeira não deve mais ser confundido com estar fora do alcance da fiscalização.

Isso significa o fim da privacidade em cripto?
Não.

E essa distinção será cada vez mais importante.
Privacidade não é ocultação patrimonial.
Da mesma forma, fiscalização legítima não deveria significar acesso ilimitado ou indiscriminado aos dados financeiros dos cidadãos.
O investidor continua tendo o direito de escolher onde manter seus ativos, utilizar plataformas internacionais, manter USDT ou outros criptoativos e fazer autocustódia.
Ter as próprias chaves continua representando autonomia patrimonial.
Não representa invisibilidade fiscal.
O verdadeiro desafio do novo mercado cripto será encontrar equilíbrio entre liberdade, inovação, privacidade e responsabilidade.

E quem possui uma carteira cripto?

Aqui aparece uma consequência muito mais prática para o investidor.
Muitas pessoas sabem quanto possuem hoje.
Poucas conseguem reconstruir com precisão como chegaram até aquele patrimônio.
Compras. Vendas. Swaps. Transferências entre exchanges e carteiras. Stablecoins. Rendimentos. DeFi. Cartões cripto. PIX. Operações acumuladas durante anos.
O problema não está necessariamente no saldo atual.
Está no histórico.

Quando essas informações estão espalhadas, podem surgir diferenças entre aquilo que o investidor efetivamente realizou, o que declarou e o que exchanges e outras instituições passaram a informar às autoridades.
Isso pode significar custos de aquisição incorretos, impostos calculados de forma inadequada, perda do aproveitamento de prejuízos ou dificuldade para justificar movimentações no futuro.
Esperar uma notificação para organizar tudo isso é a pior estratégia.

Liberdade também é conhecer os próprios números

O mercado cripto brasileiro não está deixando de ser livre.
Está deixando de ser informal.
Binance, Bybit, DeCripto, CARF e a regulamentação do Banco Central são partes de um mesmo processo de amadurecimento.
Para o investidor, a resposta não deveria ser medo.
Deveria ser controle.

Na Declare Cripto, processamos o histórico das operações para que o investidor consiga visualizar seus custos, resultados, movimentações e possíveis inconsistências antes de tomar qualquer decisão tributária.
Porque, em um mercado cada vez mais conectado e fiscalizado, preservar autonomia começa por algo simples: conheça seus números antes que a Receita conheça por você.

Conteúdo de caráter informativo. A análise tributária depende das características específicas das operações e de cada investidor.

 

 

 

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